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Blog: dúvidas reais de quem precisa furar concreto
Preço, diâmetro, prazo, autorização de condomínio, o que o projeto libera e o que
nunca deve ser feito. São as perguntas que mais recebemos no WhatsApp, respondidas com
medida, tabela e critério — não com propaganda.
O preço de um furo em concreto é definido por seis fatores: diâmetro, espessura da peça, quantidade de furos, acesso ao local, presença de armadura e distância até a obra. Não existe preço de tabela porque a mesma medida custa valores diferentes conforme esses itens.
A quebra com marreta ou rompedor é mais barata na hora e mais cara no fim. Ela abre um buraco irregular de 15 a 20 cm onde bastariam 100 mm, propaga trinca no entorno e obriga a recompor massa, revestimento e pintura — custo que raramente entra no orçamento comparado.
O furo nunca tem o diâmetro nominal do tubo: tem o diâmetro externo mais a folga de assentamento, entre 15 e 25 mm. Um tubo de PVC chamado de 100 mm tem 110 mm de parede externa e pede coroa de 125 a 150 mm.
Pode, com restrição. A passagem em viga é aceitável na região central do vão, no terço médio da altura e com diâmetro pequeno em relação à altura da peça. Perto do apoio, no bordo superior ou inferior e cortando armadura principal, não. A locação precisa vir do projeto.
Em laje protendida, o furo só pode ser executado depois de localizar as cordoalhas. A cordoalha é um cabo de aço sob tensão permanente: cortá-la libera essa força de forma abrupta, compromete a capacidade da laje e gera um reparo caro e complexo.
Depende do que o furo atinge. Passagem em parede de vedação normalmente não exige responsabilidade técnica formal. Intervenção em elemento estrutural — viga, pilar, laje, abertura de vão — envolve decisão de projeto e deve ter engenheiro responsável, com ART registrada.
Antes de furar em condomínio, confira três coisas: o horário de obra permitido pela convenção, se há exigência de comunicado prévio ao síndico, e se a intervenção atinge fachada ou área comum — caso em que a autorização costuma ser obrigatória e pode levar semanas.
Cinco itens evitam quase todo atraso: energia elétrica no ponto de trabalho, água disponível, locação já marcada, acesso liberado ao pavimento inferior no caso de furo passante, e a área desocupada num raio de cerca de dois metros.
Não, quando há contenção. Em furo passante, a água de refrigeração é aspirada no ponto de entrada e contida por um anel no ponto de saída, no teto do pavimento inferior. Sem acesso ao andar de baixo, não existe contenção — e o serviço não deveria ser executado.
O corte e a perfuração de concreto a seco geram poeira fina contendo sílica cristalina, cuja inalação prolongada está associada a doença pulmonar ocupacional. O corte com refrigeração a água suprime esse pó na origem: o resíduo sai como pasta, e não como nuvem.
Para split de 7.000 a 12.000 BTU, o furo fica entre 50 e 65 mm; de 18.000 a 24.000 BTU, entre 65 e 75 mm; em VRF e multi-split, entre 100 e 150 mm. O furo precisa acomodar as duas linhas de cobre, o dreno, o cabo e o isolamento — e sair com caimento de 1 a 2% para fora.
Parede estrutural sustenta a laje acima dela. Abrir um vão nela sem verga e sem reforço definidos em projeto redistribui carga de forma não prevista e pode causar fissura, deformação do piso superior e, em casos graves, colapso localizado. O projeto vem antes do corte.
O cabo diamantado é usado quando a serra de disco não alcança: peça muito espessa, corte com acesso por um lado só, estrutura submersa ou geometria que o disco não vence. O cabo trabalha por tração em circuito fechado e corta qualquer espessura.
Um furo de 50 a 75 mm em parede de 15 a 20 cm leva de 10 a 20 minutos de perfuração. Um furo de 150 mm em laje de 20 cm, de 30 a 50 minutos. A montagem e a fixação do equipamento consomem outros 15 a 30 minutos por ponto — e costumam pesar mais que o furo.
Sete perguntas revelam quase tudo: qual o método, como a água é contida, o que acontece se encontrar ferragem, o que está incluído no orçamento, quem responde tecnicamente pela estrutura, qual a documentação fornecida e em que situações a empresa se recusa a executar.
O furo em piscina deve ser feito antes da impermeabilização, não depois. A parede do furo precisa sair lisa e circular para o flange do dispositivo assentar sobre superfície contínua — é isso, e não o vedante, que impede a infiltração ao longo do tempo.
Em travessia de laje ou parede corta-fogo, o furo não pode ser justo no tubo. O sistema de vedação é aplicado no espaço anular em volta da tubulação e precisa expandir em caso de incêndio — por isso a travessia é executada com 25 a 40 mm de folga total no diâmetro.